Perguntaram a Bertrand Russell no fim de sua vida, de quais realizações ele mais se orgulhava. Sua resposta foi tripla; em primeiro lugar orgulhava-se de ter conhecido o amor, em segundo, de ter amealhado o tipo de razão que vem do conhecimento e do estudo e, por último, o entendimento de que é impossível ser feliz se os outros não forem também. Essa empatia que nós como seres humanos temos por nossos semelhantes, pode ser seriamente abalada pela força do hábito, do dia a dia. O sem teto pelo qual antigamente nos compadecíamos, com o passar dos dias torna-se parte do cenário urbano, mais uma entre tantas outras mazelas.
Rumamos então em direção ao agnosticismo, a uma pretensa indiferença e calosidade que nos protege do sofrimento alheio criando uma nova angústia: a incapacidade de perceber o outro. Se Deus, Brahma, Jeová, Alá ou seja lá o que cada um de nós entende como uma Consciência Superior não se importa, porque nós temos que nos importar? E será que Deus ou essa Consciência Suprema existe? Um ateu lhe dirá; Deus não existe, seja feliz!
Mas se Deus existe, nenhum de nós jamais irá conhecê-lo, por mais iluminado que seja. O que é passível de ser conhecido é a nossa relação com Ele e, conhecendo esta relação, passamos a conhecer a nós mesmos – o objetivo primeiro e fundamental de nossa própria existência. Estudando esta relação, percebemos o quão pessoal e intransferível ela é, e como ela pode muito bem ser a explicação de realidades tão díspares como a nossa e a do sem-teto. E, talvez, esse mesmo entendimento nos ajude a resgatar a percepção da humanidade do outro, tão fragilizada pela erosão do cotidiano.
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