terça-feira, 29 de novembro de 2011

Pontos de Vista

Na versão cinematográfica do "Guia do Mochileiro da Galáxia", Douglas Adams criou um dispositivo chamado "Arma do Ponto de Vista". Quando usada em alguém, ela faz com que a "vítima" veja as coisas do ponto de vista da pessoa que disparou a arma (Aparentemente a arma foi comissionada pelo Consórcio de Mulheres Irritadas, cansadas de sempre terminar suas discussões com seus maridos com um "Você não entende, não é mesmo?").
A primeira vez que assisti ao filme, achei a sacada da arma genial. Sempre imaginei que, se numa discussão o outro é capaz de enxergar seu ponto de vista, automaticamente a discussão se torna nula. Ledo engano.
Recentemente me vi em meio a um embate onde tenho plena consciência dos pontos de vista das partes participantes e, para piorar a situação, estou investida de grande envolvimento emocional com os dois lados. O fato de entender e sentir enorme simpatia por todos os suspeitos não facilita em nada a minha necessidade - inerentemente humana, de buscar uma solução para o conflito.
O primeiro instinto é o de buscar um lado, pender na direção daquele que detém a "razão", a pessoa em cujas fileiras a verdade buscou abrigo. Mas a verdade, como tudo na vida, é absolutamente subjetiva. A minha verdade é aquela que dá base ao meu ponto de vista, a sua, ao seu.
Então fazer o que? Como lidar com o proverbial bicho que come se a gente fica e pega se a gente corre?
Adoraria poder dizer que lidei com a situação de modo sábio e ponderado e que tomei o caminho da não-ação, do não envolvimento - mas estaria mentindo, e ao contrário da verdade, a mentira é bem menos dada a subjetividades...
O que posso dizer é que enxerguei minha dinâmica dentro de um conflito como se as pessoas envolvidas tivessem me acertado com a Arma do Ponto de Vista e, sinceramente, não gostei do que vi.
A busca do discernimento é um trabalho contínuo; exige empenho, dedicação e, principalmente atenção constante. Se você não se mantém alerta, palavras e ações impensadas e frívolas se tornam os frustrantes dois passos para trás para cada passo que damos a frente.
O trabalho continua....

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